Especial Mulher: as mulheres na Economia Criativa

“Elas trazem inovação, um olhar para o todo e buscam atuar em rede, o que fortalece ainda mais o trabalho que desenvolvem”. Essa é a opinião da analista do Sebrae, Jenifer Botossi, 33 anos, sobre a participação da mulher no mercado da Economia Criativa. Há dois anos, a Fundação Cultural Cassiano Ricardo e o Sebrae vêm consolidando a atuação, em São José dos Campos (SP), para dar suporte aos empreendedores criativos.

O resultado tem sido positivo. Exemplos dessa parceria são Marília Teles, 35 anos, e Francisca Campos, mais conhecida como Kika Campos, 58 anos. A empreendedora e a produtora cultural seguem, profissionalmente, em ascensão, se aperfeiçoando para driblar os desafios para conquistarem seus espaços.

Engenheira por formação, Marília começou com o crochê como hobby, uma arte terapia. Em 2019, começou a participar de palestras promovidas pela FCCR junto ao Sebrae. A partir daí, percebeu que era possível fazer parte do “mundo do empreendedorismo” com seus amigurumis (uma técnica japonesa para criar pequenos bonecos feitos de crochê ou tricô).

“Não é fácil e nem simples, mas foi transformador”, afirma Marília, que hoje tem seus trabalhos comercializados no país e até fora dele. Seus bichinhos já foram parar nos Estados Unidos e na Inglaterra. Para ela, a economia criativa traz uma nova filosofia, como a sociedade colaborativa. “Já cheguei, inclusive, a capacitar pessoas para a geração de rendas. As pessoas criam juntas e ganham juntas”.

Outra apaixonada pela Economia Criativa é a produtora cultural Kika Campos. “A FCCR é responsável por eu ter me enveredado nesta área”, disse Kika, que já foi estagiária da Fundação Cultural. Atualmente ela é produtora do Coro Contraponto e do Coro de Câmara do Vale do Paraíba.

Mesmo com o trabalho realizado em casa, remotamente em razão da pandemia, sua rotina não fica mais leve por causa disso. “Acordo cedo, cuido dos meus pets, trabalho, almoço e depois volto para o trabalho até o final da tarde, inclusive aos finais de semana”, afirma Kika que ainda encontra tempo para fazer seus cursos online e se atualizar sobre o “novo normal”, adequando sua rotina de trabalho e trocando experiências.

“Descobrir aquilo que gosta e estudar têm grande importância. Eu amo o canto coral e isso ajuda a fluir melhor. A gente tem que encarar a economia criativa como um negócio que paga nossas contas”. E, desta forma, muitas kikas e marílias vão se somando ao crescente mercado da Economia Criativa, fazendo ecoar suas vozes, sentimentos e vontade de vencer.   

Estatística

Dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), realizada pelo IBGE, mostram que cerca de 9,3 milhões de mulheres estão à frente de negócios no Brasil e que em 2018 elas já eram 34% dos “donos de negócio”.

Oportunidade

O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), em parceria com a Fundação Cultural Cassiano Ricardo, abre 50 vagas para o programa Criativ@s do Vale e Litoral Norte, em São José dos Campos. A ação é direcionada para empreendedores formalizados (com CNPJ) do segmento de economia criativa se capacitarem, gratuitamente, em gestão.

As aulas acontecem 100% online às segundas e quartas-feiras, entre os dias 22 de março e 7 de abril, das 18h30 às 20h30. Interessados podem se inscrever pelo link http://bit.ly/programasersjc até o dia 16 de março. Mais informações pelo WhatsApp (12) 3519-4818.

“Não é fácil e nem simples, mas foi transformador”, afirma a engenheira Marília Teles, empreendedora criativa. – Foto: Divulgação

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