Égua adotada é a nova companhia das crianças na equoterapia

Se existisse o paraíso dos cavalos, seria um lugar com grama verdinha, água fresca por perto e longos dias claros para ficar pastando. Desde o final de janeiro, esse é o ambiente onde Dakota passou a viver, na escola de equoterapia Elo de Amor, cujos proprietários a adotaram e lhe batizaram com o nome originário de uma tribo da América do Norte.

Ali, a égua baia, com cerca de 380 quilos, recebe o carinho das crianças atendidas e os cuidados das pessoas que trabalham no local. Com olhar terno a admirar a cena, as mães não imaginam que um ano atrás a situação era bem diferente.

Exatamente em 13 de fevereiro de 2020, coincidentemente no começo da pandemia de covid, a criação fora desprezada pelos antigos donos e estava solta em via pública. Desnutrida e machucada, foi recolhida pelo Centro de Controle de Zoonoses, o órgão da Prefeitura de São José dos Campos (SP) que, entre outras ações, zela pelo bem-estar animal.

Na época com aproximadamente 8 anos de idade, o equino foi levado ao refúgio, onde os animais abandonados de tamanhos semelhantes são acolhidos, recuperados, medicados e tratados conforme as boas práticas de manejo.

Enquanto lá permaneceu, a eguinha mudou de figura. Com alimentação adequada e medicamentos necessários, ela foi ganhando peso. Em pouco tempo, engordou aproximadamente 80 quilos, e a pelagem voltou à cor natural dela.


Eliete apresenta Theo à nova amiga | Foto: Claudio Vieira/PMSJC

Dakota foi o primeiro animal entre os de médio e grande porte a ser adotado com base na Lei Municipal 9.913/2019. Graças à dedicação de todos os profissionais envolvidos, no dia 22 de janeiro ela passou a usufruir do conforto e segurança no novo lar.

Por ora, a égua está sendo treinada para atender as turmas da equoterapia, que beneficia as crianças que precisam de atenção especial para o desenvolvimento infantil.

“O cavalo é como se fosse um anjo na equoterapia, é através dele que a gente reabilita a criança”, afirma a fisioterapeuta Eliete Gama. A responsável pela equipe profissional elenca os benefícios da atividade. “Ajuda na parte emocional, principalmente das crianças com necessidades especiais. No autismo, ajuda na autoestima, na parte sensorial.”


Francisco ajuda a alimentar o animal  | Foto: Claudio Vieira/PMSJC

Logo, logo Dakota vai se juntar aos cavalos Gateado e Canário e reforçará o plantel nas sessões de cavalgada pelo gramado. Enquanto não é designada para a montaria, ela já está tendo contato com os pequenos na primeira parte da terapia, que é a interação com o animal na hora de dar a ração, escovar a crina e colocar o arreio.

Esse momento de aproximação das crianças com o bicho é o primeiro passo para a troca de afetos. Theo e Giovanna, gêmeos de 4 anos, demonstraram tanto carinho ao acariciar pela primeira vez a cara de Dakota que emocionou os integrantes da equipe de reportagem da Prefeitura. Uma cena tocante, que se repetiu quando o coleguinha Francisco, aluno iniciante, ajudou na hora de alimentar o animal. A sequência fotográfica no final do texto explica melhor do que palavras.

Para a mãe dos gêmeos, Julia Lukschau Xavier, a equoterapia está tendo um resultado muito positivo. “O trabalho aqui também desenvolve a afetividade das crianças. Aqui tem esse laço com o animal, o cavalo, que é um bicho maravilhoso e ajuda eles a criar esses vínculos no dia a dia, na escola.”

Julia matriculou as crianças em agosto devido à pandemia. “Como não estava tendo escola, e online para eles nunca funcionou, aí eu tirei da escola e investi nas terapias, na equoterapia, psicologia e psicomotricidade. Em pouco tempo, a evolução foi muito boa. O que eles eram antes e o que eles são agora é completamente diferente.”


Julia com os filhos | Foto: Claudio Vieira/PMSJC

Uma surpresa vai trazer mais alegria ainda a todos, grandes e pequenos. Após fazer o checkup, o veterinário da propriedade descobriu que Dakota está prenhe, com gestação de 3 a 4 meses. O potrinho é esperado para setembro e vai ser o mascote da turma.

Dos 40 animais de médio e grande porte disponíveis na primeira chamada do programa de adoção, até o momento 31 encontraram um novo lar, sendo 21 equinos, 7 bovinos, 2 suínos e 1 ovino. Assim que for concluída essa etapa, outro processo deverá ser aberto e divulgado nos canais da Prefeitura.

Mais informações pelo telefone 3931-2292 ou 3934-4923. O Centro de Controle de Zoonoses (Rua George Williams, 581, Parque Industrial) funciona de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 16h.

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