Paratleta conta como acidente no trânsito mudou sua vida

Era uma manhã de outubro de 2006, logo nas primeiras horas do dia, Rodrigo Ferreira Lima, morador de São José dos Campos (SP), seguia para o trabalho de carro pela região sul da cidade. Na época, com os seus 24 anos, ele não imaginava que em questão de minutos uma imprudência no trânsito iria transformar sua vida para sempre.

Ao entrar no veículo, Rodrigo esqueceu de um dos itens mais importantes na segurança: o cinto. Ao passar pelo cruzamento das avenidas Cassiopéia e Andrômeda, no Jardim Satélite, o carro dele foi atingido na lateral por outro veículo.

“Fui arremessado para fora do carro e atropelado por outro veículo que me arrastou por uns 10 metros até parar em um poste. A ambulância chegou, fizeram o procedimento de socorro, me explicaram o que havia acontecido e da possibilidade de amputação da minha perna esquerda”, conta Rodrigo que nasceu em São Paulo e veio para São José com menos de um ano de idade.

“Lembro só de ter falado para fazerem o que fosse necessário, queria ficar vivo. Dormi e quando acordei já estava no hospital e haviam feito a amputação”, comenta. No sinistro de trânsito, o motorista que atingiu o carro de Rodrigo havia ultrapassado o sinal vermelho.

Maio Amarelo

As causas desta ocorrência não são exceções. Cerca de 90% dos sinistros acontecem por algum tipo de imprudência, ou seja, podem ser evitáveis e são previsíveis.

Respeito e responsabilidade no trânsito são os assuntos da campanha Maio Amarelo deste ano, mês em que o tema segurança viária é colocado em pauta na sociedade e tem o objetivo de reduzir as mortes e feridos no trânsito.

Por esse motivo, inclusive, que em 2018 a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) mudou a terminologia e adotou a expressão sinistro de trânsito para qualificar incidentes no tráfego, visto que acidente é aquilo que ocorre de forma inesperada e imprevisível.

Superação

Mesmo com o ocorrido, Rodrigo deu a volta por cima e encontrou na família e no esporte a força que precisava para iniciar uma nova vida. “Estava na flor da idade e de repente tudo teve que ser parado pra começar uma readaptação e uma vida completamente diferente”, conta. “Logo depois conheci minha esposa e com três meses de namoro, em julho de 2007, ela engravidou”, completa Rodrigo que hoje é pai de três filhos e mora no Jardim Sul.

Em 2014, ele conheceu o Instituto Athlon, que desenvolve o paradesporto joseense para pessoas com deficiência física, visual e intelectual. “O pessoal me chamou para fazer natação e atletismo, mas sempre arrumava uma desculpa, fugia da raia”, diz.

“Em 2016 encontrei com o pessoal novamente e me convidaram para o projeto de vôlei sentado. Nessa ocasião não tinha desculpa, eu estava de férias e os treinos eram perto de casa. Fui conhecer, cheguei tímido e foi paixão a primeira vista, o vôlei me encantou. Aí a minha vida estava completa. Tinha esposa, casa, filhos e estava de novo fazendo o que gosto, me distraindo com o esporte”, diz.

Hoje, com 34 anos, Rodrigo não tem problema em recordar do sinistro no trânsito, pelo contrário, sempre que pode aproveita para alertar as pessoas sobre a importância do respeito e responsabilidade no trânsito.

Alerta

“Conseguimos evitar muita coisa com um simples gesto, uma manutenção no veículo, o respeito à sinalização, faixa de pedestre, dar preferência. São atos simples que podem evitar grandes consequências com a gente, nossos familiares e outras famílias”, diz.

A história de vida completa do Rodrigo e as percepções com relação à segurança no trânsito serão contadas por ele na próxima segunda-feira (24), a partir das 9h, em uma palestra ao vivo nas redes sociais da Prefeitura.

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