Rosana Selicani: a força de uma mulher após um acidente

Na maioria das vezes, uma ocorrência de trânsito causa grave impacto negativo na vida da vítima e das pessoas à sua volta, principalmente os familiares mais próximos, devido às sequelas e mudança de rotina que ela causa. Imagine ainda, você mulher, grávida de sete meses, passar por uma situação como essa no trânsito e sofrer a amputação de um membro.

Foi o que aconteceu com a moradora de São José dos Campos (SP), Rosana Selicani, de 54 anos, em dezembro de 1991 em uma via da cidade. Naquele dia, Rosana e o seu marido saíram para dar uma última volta na moto que tinham acabado de vender. O que eles não esperavam era a vinda na contramão de um motorista alcoolizado.

Ainda hoje, a imprudência, ou seja, a falha humana, é o principal fator que ocasiona as ocorrências no trânsito –cerca de 90%. Por esse motivo, a campanha do Maio Amarelo deste ano, traz como tema a importância de praticar o respeito e a responsabilidade no trânsito.

Na ocorrência, Rosana perdeu uma das pernas e a preocupação maior no momento era o filho que estava para nascer. “É uma data que me faz refletir muito. Penso sempre no presente que ganhei de Deus. Sobreviver ao acidente de moto, perder a perna e ter um milagre de não perder meu filho, ele salvou a nossa vida, devido à contração que tive na hora da queda”, conta. O primeiro filho da Rosana, o Victor, nasceu saudável, de parto normal, dois meses após o acidente.

“Me emociono sempre que escrevo minha historia, às vezes parece que foi um sonho tudo aquilo”, comenta Rosana que não esperava por uma outra experiência dois anos mais tarde, quando engravidou pela segunda vez. “Foi uma gravidez tranquila na parte saúde, mas engravidar usando uma prótese mecânica não foi tão fácil assim”, conta a mãe da Juliana.

Sonho

Até então, Rosana era dona de casa e cuidava da família, mas em 2000, ela decidiu mudar de vida. “Comecei a nadar, era uma recreação, fui atrás de qualidade de vida, era fumante, queria parar de fumar”, conta. “Sempre gostei de natação, mas não nadava bem, dava umas braçadas timidamente, mas ainda assim tinha o sonho de competir”, completa.

“Minha primeira competição foi em Suzano, tinham três atletas, dois homens e eu. Fiz uma apresentação dos 50 e 100 metros livres”, recorda Rosana, que foi a pioneira na natação PcD (Pessoa com Deficiência) do Vale Paraíba e Litoral Norte e uma das mais velhas nadadoras PCD do Brasil.

Atualmente, ela integra a equipe de natação PcD de São José dos Campos, pelo Instituto Athlon, que desenvolve o paradesporto joseense para pessoas com deficiência física, visual e intelectual.

“Troquei o vicio de fumar pelo prazer de nadar, ao longo desses anos conquistei muitos troféus, medalhas para nossa cidade”, diz Rosana que é natural de Paraguaçú-MG, mas veio para São José em 1968.

A marca registrada da Rosana é a força e resiliência. “Me permito enfraquecer, às vezes fico chateada, mas tento ver o lado positivo mesmo quando não estou bem”, afirma a nadadora sem deixar de alertar sobre os riscos de ser imprudente no trânsito.

“Leis existem e precisam ser seguidas. Se você as respeita, é raro que algo aconteça, mas se não seguir o risco é grande. O meu caso não teria acontecido se o motorista não estivesse na contramão”, diz. “Não perdi meu filho, estou com saúde, mas tem gente que não tem essa mesma situação, acaba com a vida da pessoa. A deficiência acaba sendo interna e não externa”, conclui.

A história de vida completa da Rosana e as percepções com relação à segurança no trânsito serão contadas por ela nesta segunda-feira (24), a partir das 9h, em uma palestra ao vivo nas redes sociais da Prefeitura.

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